segunda-feira, 6 de junho de 2011

Algumas obras de B.F. Skinner


Burrhus Frederic Skinner (1904-1990) teve o seu discutido livro Beyond Freedom and Dignity, de 1971, reeditado em 2002 pela Hackett Publishing Company. No Brasil ele foi publicado com o curioso título de O Mito da Liberdade e não causou qualquer frissom entre os filósofos e psicólogos e passou quase desapercebido. Skinner, o mais notável psicólogo americano do século XX, desenvolveu ao seu limite o Behaviorismo de Watson e Pavlov. Graduado em Literatura Inglesa por Harvard, em 1938 ele defende uma criativa tese de doutoramento, The Behavior of Organisms, e foi além de Pavlov ao estabelecer o comportamento operante ou o comportamento que está sob controle de um estímulo que chama de discriminativo. Criou uma metodologia para a investigação do comportamento com a sua famosa caixa ou gaiola de Skinner na qual um rato aprende a pressionar uma barra quando ouve um determinado som e a não pressionar quando o som é de outra natureza. O rato aprendeu, portanto, um comportamento novo — pressionar a barra — e com isto ganhar uma bolota de alimento, estímulo reforçador.
Depois desta pesquisa, Skinner trabalhou com pombos e mostrou a capacidade de aprendizagem dos mesmos em dezenas de pesquisas criando os esquemas de reforçamento nos quais o tempo, seja fixo ou variável, controlam a resposta do pombo de bicar uma chave. Depois de extenso trabalho experimental, passou a teorizar e aplicar estes e outros conceitos básicos em seres humanos e a criticar os conceitos tradicionais como o faz neste livro. Ataca o conceito clássico de liberdade, de vontade, de mente e acredita que todo comportamento está controlado por muitas contingências ambientais e da história da pessoa. O comportamento humano livre não existe para Skinner e todo comportamento é determinado.
Neste Skinner ele não destrói o conceito de liberdade e ele mesmo mostra que ao reforçar um comportamento, seja de um rato, um pombo ou um ser humano, ele aumenta apenas a probabilidade da sua ocorrência. O determinismo de Skinner é, portanto, probabilístico, o que deixa ampla margem para a liberdade, isto é, para que o comportamento não ocorra. Skinner demonstrou, como Freud, o quanto o homem não é livre e o quanto está controlado por contingências, sejam atuais ou do passado. Desta forma, a liberdade humana estaria num estado potencial. A partir do momento em que o homem conhecer sua história de condicionamento e as variáveis ambientais e esquemas de reforçamento que o controlam ele está, do meu ponto de vista, em condições de emitir um comportamento livre, isto é, não controlado por estas variáveis. Apesar da fraqueza filosófica do livro, pois Skinner desconhece toda a contribuição da escolástica e dos modernos — Sartre, entre outros — para a discussão da liberdade, o livro merece ser lido porque a sua teorização partiu de intensa pesquisa básica.







Introdução
Em Comportamento Verbal Skinner afirma que uma iniciação apropriada à leitura de seu livro é primeiramente ler Ciência e Comportamento Humano. Nada mais certo. Sem compreender a ciência subjacente à sua análise das relações verbais, seria impossível entender aquela análise ou pior, o que ele escreveu seria grandemente mal interpretado. Uma resenha antiquada feita por um lingüista, nos fornece um dos melhores exemplos de não se seguir o conselho acima. O revisor aproximou-se da análise de Skinner através do periscópio de uma psicologia do estímulo-resposta, tão ultrapassada que era a própria antítese da posição de Skinner. Tal como MacCorquodale (1970, pp.83-98) afirmou “O verdadeiro alvo de Chomsky é apenas meio Skinner, com o resto sendo uma mistura de esquisitices e condições de outros behaviorismos e outras crendices de origem desconhecida... um amálgama de ... doutrinas behaviorísticas fora de moda”.
Mesmo que essa interpretação estímulo-resposta estivesse atualizada, ela ainda estaria inadequada, pois Skinner rejeitaria tal formulação. Perguntado se ele teria lido tal resenha, não foi surpresa que Skinner tivesse respondido que ele começara a fazê-lo, lera alguns poucos parágrafos e desistira quando ele viu que ela havia escapado à compreensão do resenhista. Uma resposta bastante educada.
Esta Introdução não substitui Ciência e Comportamento Humano. Pelo contrário, esta Introdução fornece a anatomia conceitual que constitui a análise do comportamento verbal de Skinner. Esta anatomia conceitual deriva da Teoria da Seleção Comportamental de Skinner. Um componente dessa teoria, a análise do comportamento verbal, traz à tona o impacto da cultura. Outro componente, a análise do comportamento experimental, providencia a infra-estrutura do comportamento verbal. Os fundamentos experimentais a partir de laboratório fornecem os vários tipos de controles que emprestam significado a diferentes formas de comportamento verbal. Porém, mais do que somente controles estão em questão no entendimento do comportamento verbal. Junto a esses controles há atributos de definição que compõe o “comportamento verbal” sendo que há mais de um. O comportamento verbal não é definível apenas por um tipo de atributo, a sua característica mediacional – mesmo sendo este importante. Um certo número de outras características são igualmente importantes para se compreender o que Skinner chama de “comportamento verbal”. Tanto a anatomia como os atributos expressam o essencial do que vem a ser o comportamento verbal.









A análise de Skinner acerca do comportamento verbal requer o entendimento de suas bases experimentais e filosóficas. A sua interpretação do comportamento social conhecido como “linguagem” é construída diretamente a partir da análise experimental do comportamento em contato direto com o seu ambiente imediato, tanto interno quanto externo, e do enquadramento do contato comportamental como relações de contingência. A análise das relações de contingência do comportamento verbal, contudo, lida com propriedades de comportamento não apenas sob os controles dinâmicos do contato direto, mas a medida que este controle é mediado pela sociedade. Uma comunidade social constrói esta mediação moldando as ações de seus membros para poderem ensinar outros membros como verbalizarem efetivamente através de formas apropriadas de ação. Portanto, os atributos de Skinner do comportamento verbal são: 1) relacional; 2) mediacional; 3) comunal; e 4) estipulacional. Todos os quatro são componentes necessários da sua análise de comportamento verbal, e constituem o que ele define como comportamento verbal.




Outras informações sobre "Comportamento Verbal"
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1517-55452007000200002&script=sci_arttext




Walden II: uma Sociedade do Futuro – Burrhus Frederic Skinner
Nenhum modo de vida é inevitável. Se você não gosta do seu, mude-o. Construa um modo de vida no qual as pessoas vivam juntas sem brigar, num clima social de confiança ao invés de suspeita, de amor ao invés de ciúme, de cooperação ao invés de competição. Mantenha esse mundo com sanções éticas brandas, mas efetivas. Transmita a cultura eficazmente aos novos membros através de cuidados especializados às crianças e de uma tecnologia educacional poderosa. Reduza o trabalho compulsivo ao mínimo. Não considere nenhuma prática como imutável. Mude e esteja pronto a mudar novamente. Não aceite verdade eterna. Experimente. Simplifique suas necessidades. Aprenda a ser feliz com menos posses. Platão, Tomas Moroe, Campanella, Aldous Huxley, George Orwell e muitíssimos outros imaginaram comunidades ou estados utópicos. Walden II tem a vantagem de ser uma sociedade realizável e boa, pois propõe o bem-estar de todos os integrantes, segundo as leis da “engenharia do comportamento”.

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