quinta-feira, 2 de junho de 2011

CÉLESTIN FREINET





Célestin Freinet em sua infância era pastor de ovelha, mas a primeira opção profissional foi o magistério. Embora fosse pacifista envolveu-se diretamente nas duas Grandes Guerras Mundiais.
A partir de sua prática pedagógica viajou muito para conhecer outras pedagogias, criticando-as e aceitando aquelas que achavam positivas. Não acreditava nas teorias psicológicas complexas, pois para ele a criança aprende a partir do teste de suas próprias hipóteses.


Conheça, alguns dos marcos de sua trajetória:

  1. 1896 – Nasceu no Sul da França na aldeia de Gars, nos Alpes Marítimos, em 15 de outubro. Somente na adolescência transferiu-se pra a cidade de Nice, onde o curso de Magistério na Escola Normal;

  2. 1914 – 1918 – A Primeira Guerra Mundial, na qual Freinet se alistou, não só afetou seus pulmões, pelo efeito de gases tóxicos, como impediu que concluísse o Curso Normal . Por isso começou a lecionar na aldeia de Barsur-loup, em 1920, sem diploma.

  3. 1927 – Enquanto estudava para obter o diploma, Freinet iniciou suas experiências didáticas, como a Aula-passeio, a Imprensa Escolar e o livro da Vida. Em 1927, já casado com a artista plástica Elise, com quem trabalhava, editou o livro A Imprensa na Escola, criou a revista La Gerbe (O Ramalhete), com poemas infantis e fundou a Cooperativa de Ensino Leigo (CEL).

  4. 1928 – FREINET e Elise mudaram-se para a Vila de Saint-Paul de Vence. Ali crieram técnicas como a Auto-avaliação e o Plano de Trabalho. Crítico das cartilhas, Freinet propôs os Fichários de Consulta e os de Auto-correção.

  5. 1929 – As realizações da escola e da cooperativa provocavam reações em Saint-Paul. O intenso movimento postal gerava suspeitas e a hostilidade agravou-se até que, ao fim de cinco anos, Freinet foi exonerado do cargo de professor.

PEDAGOGIA FREINETIANA

O trabalho de Célestin Freinet difere-se de outros educadores, por ser histórico, partindo do princípio que as crianças devem ser educadas pelo trabalho. Na opinião dele a sociedade é cheia de contradições que refletem os interesses das classes sociais que nela existem, sendo que tais contradições penetram em todos os aspectos da vida social, inclusive na escola.
O trabalho é um princípio que educa, uma necessidade da criança e o professor tem por objetivo levar os alunos a compreendê-lo como atividade fundamental do ser humano.
Para ele, organizando o trabalho teremos resolvido os principais problemas de ordem e disciplina.
Na visão de Freinet, os estudos sobre a criança partem da própria criança, conhecendo a maneira de ser e pensar da criança para ajudá-las nas dificuldades, por esse motivo, aprender por grupos de trabalho, tendo o trabalho como o processo de reorganização espontânea de vida na escola e na sociedade, é um princípio no qual o trabalho produtivo é um contínuo ensinar e aprender. Ele critica o trabalho alienado e defende uma educação que permite uma reflexão critica contra as formas de exploração do trabalho. Analisando de forma crítica o autoritarismo da escola tradicional nas regras rígidas da organização do trabalho, no conteúdo determinado de forma caprichosa.
As mudanças necessárias e profundas na educação deveriam ser feitas pela base, ou seja, pelos próprios professores.
O movimento pedagógico fundado por Freinet caracteriza-se por sua dimensão social, evidenciada pela defesa de uma escola, centrada na criança, que é vista não como um indivíduo isolado, mas, fazendo parte de uma comunidade, um elemento ativo de mudança social e é também popular por não marginalizar as crianças das classes menos favorecidas.
Célestin Freinet elabora toda uma pedagogia construída com base na experimentação e documentação, que dão à criança instrumentos para aprofundar seu conhecimento e desenvolver sua ação.
Dá grande importância a participação e integração entre famílias, comunidade e escola defendendo o ponto de vista de que “se se respeita a palavra da criança necessariamente há mudanças”.


Principais Técnicas de Célestin Freinet


Ele criou essas técnicas baseando-se na livre expressão e nas descobertas feitas pelo tateamento experimental, a cooperativa escolar é a base para todas essas atividades serem desenvolvidas, apesar de tudo ser bem definido na Pedagogia Freinet ela deve ser vista numa totalidade e não fragmentada. Graças a comunicação existente entre os educadores dessa pedagogia e com os avanços da informática, novas técnicas surgem e as já existentes são mais bem elaboradas.  



1 - Fichário Escolar


Fichas criadas por alunos e professores, para suprir as lacunas deixadas pelos livros didáticos convencionais. É composto por fichas de assuntos específicos que são elaboradas pelos próprios alunos. A ideia central é de que este fichários apresentarão as questões em uma forma mais próxima da realidade das crianças. As fichas apresentam sempre uma proposta de atividade e propõem diversas formas para a utilização de algum material. Estas fichas são reunidas, classificadas por assunto e publicadas para uso em sala. Os fichários adquiridos por cada escola são ampliados com as experiências ali desenvolvidas por seus alunos.
Põe a disposição da criança exercícios destinados à aquisição dos mecanismos do cálculo, ortografia, gramática, história, ciências etc. São construídas em sala de aula pelos professores na interação com a turma. Freinet criticava duramente os livros didáticos fora da realidade da criança.





2 - O Estudo do Meio

Este é um princípio sobre o qual se assenta a Pedagogia do Trabalho. É o estudo do ambiente em que o aluno vive, incluídos aí o meio físico e social. Os alunos fazem pesquisas de campo, entrevistas, buscam documentos e compõem um registro (em geral ilustrado) que descreve o local em que vivem sob seus vários aspectos. Este registro é ampliado sempre que os estudantes fazem novas descobertas ou observações. A educação é vista como um instrumento que possibilita a inserção do estudante em seu meio ambiente e possibilita que seja transformador crítico deste meio. Os estudos sobre o meio ambiente são feitos através das "aulas das descobertas", onde cria-se a oportunidade dos alunos conhecer mais afundo o meio ambiente que os cercam, aprendendo sempre respeitar as leis da natureza, além é claro da observação de seres vivos no próprio habitat. A educação do trabalho, este enquanto atividade produtiva que auxilia a criança a construir a sua própria aprendizagem. Para tanto, o trabalho deve ser realmente livre, escolhido por ela e organizado no seu plano de trabalho tanto individual quanto coletivo. Numa educação pelo trabalho não tem sentido e nem lugar tarefas impostas que conduzem as crianças a se desobrigarem o mais cedo possível para se verem livres de tal tarefa como se fosse um fardo pesado em lugar de ser uma atividade prazerosa. Trabalho individualizado e socializado: contratos de trabalho, projetos, pesquisas, avaliação formativa, trabalho com fichas, livros...




quarta-feira, 1 de junho de 2011

3 - Livro da Vida

            Ele é muito parecido com um diário, o registro é livre, ou seja, o aluno escreve no momento em que estiver com vontade e sobre o assunto que quiser, não precisa ser especificamente assunto escolar. O registro pode ocorrer de diversas maneiras, com desenhos, escrita, colagens ou outra forma que encontrarem. Os conteúdos e conceitos das diferentes áreas do saber passaram a ser discutidos de forma viva e integrada. Funciona como um diário da classe, registrando a livre expressão (texto, desenho e pintura).
            É o documento que registra todos os acontecimentos importantes da classe. Ele mostra a evolução do trabalho da turma e poderá ser lido pelos colegas, pais e professores. Compõem-se de uma grande folha de papel a qual podem ser coladas outras, na medida da necessidade. Esta atividade permite que as crianças exponham seus diferentes modos de ver a aula e a vida.




4 - Correspondência Interescolar

            Nessa atividade os alunos tem a oportunidade de conhecer outros alunos de comunidades diferentes, assim eles aprendem um pouco sobre outros costumes, se deparam com outras realidades. A pluralidade é bastante desenvolvida nesta atividade. Pode começar com uma escola vizinha, se estendendo até mesmo as escolas de outros países, o material a ser enviado pode ser inúmeros: desenhos, fitas cassetes, fitas de vídeo e hoje em dia é claro o e-mail.